O site da torcida do São Paulo SPnet, publicou nesta terça-feira uma matéria homenageando o ex-craque do time, o potiguar Souza. Assinada pelo jornalista Mateus Ribeirete - do Olheiros.Net, a reportagem traz toda carreira do meia, maior ídolo potiguar nos últimos anos.
Com problemas físicos, o craque abandonou o futebol em dezembro do ano passado. Na sua carreira, títulos por Atlético-MG, Corinthians e convocações. Veja abaixo a íntegra da reportagem.
Matéria
A experiência no Rio Branco foi mais que proveitosa. Na equipe que só parou nos grandes no Paulista de 1993, Souza teve a oportunidade de atrair a atenção ao lado de Flávio Conceição e Marcos Assunção. O clube, nos anos seguintes, ainda revelaria o volante Mineiro e daria projeção ao atacante Marcelinho Paraíba. O Tigre também se destacaria por vencer São Paulo e Corinthians, em 93 e 94, respectivamente. Souza, cerebral e ágil meio-campista de ligação com o ataque, não demorou a ser fisgado por um time da capital. Ainda em 1994, o Corinthians - que se despedia de Rivaldo e já contava com Marcelinho Carioca – acertou a sua contratação.
No Timão, após amargar o vice-campeonato nacional perdido ante o arqui-rival Palmeiras, nada melhor que começar o ano de 95 com o Campeonato Paulista. Sem parar por aí, os alvinegros também faturaram a Copa do Brasil daquele ano, derrotando o Grêmio nas finais. Souza, mesmo com apenas 20 anos, já surgia como um dos principais nomes do meio-de-campo no país. Não à toa, foi convocado por Zagallo para a Seleção Brasileira principal já em 95, ao lado de nomes como Aldair, Roberto Carlos, Edmundo e Ronaldo. Disputou a Copa América do mesmo ano, sem, contudo, entrar em campo na campanha que levou o Brasil ao vice-campeonato.
Em 1996, Souza faturou, com o Corinthians, o nem tão importante Troféu Ramón de Carranza. Neste ano, ele ainda viria a ser chamado pela décima primeira e última vez para a seleção nacional. Após manter o alto nível, em 1997 – apesar de novamente campeão paulista – a situação começava a piorar. Ganhando fama de sonolento por lampejos de falta de atenção dentro de campo, Souza – mesmo atuando bem – já deixava a desejar. O atleta não conseguia repetir o mesmo desempenho mostrado, por exemplo, nas quartas-de-final da Copa do Brasil, contra o Atlético Paranaense, naquele ano. Tanto em São Paulo quanto em Curitiba, foi peça crucial para a classificação dos alvinegros, marcando dois gols. Quem se aproveitou da situação foi o tricolor paulista, que, comandado por Nelsinho Baptista, não pestanejou ao ir atrás do meio-campista.
Souza iniciaria com o pé esquerdo no São Paulo. Vale lembrar, claro, que o meia é canhoto. Vencendo o estadual pela terceira vez na carreira, a previsão era de que o atleta se firmasse rapidamente na equipe. Entretanto, a constante troca de treinadores no clube atrasou a adaptação de seu futebol no Morumbi. Só em 98, comandaram o time Nelsinho, Pita e Mário Sérgio. Permaneceu sem conquistar quaisquer títulos até outro Paulista, em 2000. Até então, Souza não havia sido um fracasso, bem como também não era indispensável ao São Paulo. Em 2001, após conquistar o Torneio Rio-São Paulo, rumou emprestado ao Atlético Paranaense para a disputa do Campeonato Brasileiro.
No habitual 3-5-2 de Geninho, Souza pôde revitalizar sua carreira. Mesmo sem ser titular absoluto, foi peça essencial no esquema atleticano, alternando a vaga de meia mais ofensivo do Furacão com Adriano Gabiru. Campeão nacional deste mesmo ano, não faltou interesse do rubro-negro em contratá-lo em definitivo. O problema era que o artilheiro do clube nos momentos decisivos, Alex Mineiro, também estava na Baixada por empréstimo, sendo financeiramente inviável para a equipe a contratação dos dois jogadores. Como consequência, retornou ao São Paulo já em 2002. Na Barra Funda, o atleta de 169 centímetros seguiu como peça dispensável no elenco. Em 2003, foi negociado com o Atlético Mineiro.
No Galo, Souza durou até o rebaixamento do clube, em 2005. Desfavorecido pelos fracos elencos com os quais alinhou e também pelos próprios problemas físicos, o meio-campista não conseguiu manter um futebol de grande nível. Já com 30 anos, foi à Russia para jogar pelo desconhecido Krylya Sovetov, entrando em campo durante todo o ano de 2005 e marcando dois gols em 25 partidas. De volta ao Brasil, fechou com o Flamengo em 2006. Na Gávea, os mesmo problemas físicos, somados também aos técnicos, culminaram em apenas cinco meses de atividade. Dispensado pelo rubro-negro, retornou ao América-RN ainda em 2006, ajudando o clube a subir para a divisão de elite e não conseguindo evitar a sua queda no ano seguinte.
Em 2008, fechou com o Atlético Mineiro novamente. A esperança era de reencontrar a forma física e o futebol ideal ao lado do técnico Geninho, que o havia comandado no título brasileiro de 2001 com o xará paranaense. Entretanto, após alguns meses no Galo, declarou-se vencido pelos problemas físicos e, apesar da idade nem tão avançada – 33 anos – decidiu abandonar o futebol.
Ficha técnica
Nome completo: José Ivanaldo de Souza
Data de nascimento: 06/06/1975
Local de nascimento: Itajá (RN), Brasil
Clubes que defendeu: América-RN, Rio Branco, Corinthians, São Paulo, Atlético-PR, Atlético-MG, Krylya
Sovetov, Flamengo
Fonte: DN Online